Quebradeiras de coco babaçu apresentam “relação de bem viver” no RJ

Seminário teve representantes de povos e comunidades tradicionais e atrações lúdicas que retrataram a vida dos moradores do cerrado

ESTADO Representantes maranhense durante seminário do Rio de Janeiro
Reprodução/Representantes maranhense durante seminário do Rio de Janeiro

Assessoria
Quinta-feira, 11 de Outubro de 2018

O cerrado pela percepção dos quilombolas, quebradeiras de coco babaçu e geraizeiros, pessoas que realmente vivenciam na maior biodiversidade do mundo, e compreendem, pela história de vida que trazem, os desafios para garantir a preservação desse bioma. A temática foi foco da atividade “O cerrado por toda parte”, realizado na última terça-feira (09) no Museu do Amanhã no Rio de Janeiro com a organização da Rede Cerrado e ActionAid e a Rede Cerrado e apoio do Critical Ecosystem Partnership Fund, da DGM Brasil e da Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental.

A atividade foi dividida em duas partes; pela manhã um seminário com representantes de povos e comunidades tradicionais e pela tarde atrações lúdicas que retrataram a vida dos moradores do cerrado. A jornalista e comentarista de temas sociais e econômicos da Globo News, Flávia Oliveira, ganhadora do Prêmio Comunique-se 2018 na categoria Mídia Falada e colunista também do Jornal O Globo e da Rádio CBN.

A relação de bem viver que as quebradeiras de coco babaçu mantêm com o meio ambiente em especial as florestas de palmeiras babaçu e o cerrado (vários estados de atuação do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB) estão inseridos no bioma cerrado) foi apresentada pela coordenadora do MIQCB, dona Maria do Socorro Teixeira Lima. Ela falou sobre a necessidade de combater a exploração ao ambiente com projetos que têm como foco, o incentivo à agroecologia com práticas sustentáveis. Ressaltou que parceiras que o MIQCB tem trabalhado com a União Europeia, Actionaid, Fundação Ford, DGM e outras instituições parceiras.

No Maranhão, o cerrado representa mais da metade (cerca de 60%) de todos os biomas. No cerrado maranhense, tem destaque o Parque Nacional da Chapada das Mesas, que possui vegetação semelhante, com relevo diferenciado e quedas de água. É um dos biomas que atualmente sofre grande risco devido ao agronegócio principalmente da soja. Em outras regiões do Estado são encontradas as florestas de babaçuais nesse bioma.

Representando as quebradeiras de coco babaçu, dona Maria do Socorro Teixeira Lima, coordenadora do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins. Ela falou sobre a necessidade de combater a exploração ao ambiente com projetos que têm como foco, o incentivo à agroecologia com práticas sustentáveis. Ressaltou que parceiras que o MIQCB tem trabalhado com a União Europeia, Actionaid, Fundação Ford, DGM e outras instituições parceiras.

Do Tocantins da Ilha de São Vicente (2ª maior ilha fluvial do país), representando o povo quilombola, a líder Fátima Barros que ressaltou o momento de intensa preocupação e apreensão vivenciado dentro dos territórios como o cerrado. “É nesse bioma que está nossa história e a relação de amor que temos com esse ambiente é que leva à preservação, o cuidado ao contrário do agronegócio que violenta o bioma e as pessoas que vivem nele. Mas sempre resistimos e não será agora que vamos desistir”, enfatizou.

Das Minas Gerais, da região de Montes Claros, o geraizeiro Samuel Leite Caetano, do Centro de Agricultura Alternativa, falou sobre a resistência do bioma cerrado e dos povos que nele vivem. “É preciso que o processo de retomada do cerrado seja ainda mais intenso pelos povos e comunidades tradicionais. O bioma é resistente e basta que preenchemos os espaços para que o agronegócio não tome de conta, essencial é sermos protagonistas dessa história”.

Na mediação dos debates, a jornalista Flávia Oliveira, posicionou-se sobre a necessidade de instituições se sensibilizarem com a situação dos povos e comunidades tradicionais e sugeriu do Judiciário um comportamento mais compreensivo para a causa da regularização fundiária. “A forma como o Judiciário tem encarado as questões envolvendo povos e comunidades tradicionais limita a possibilidade de relação histórica com a terra”, finalizou.

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