“No Espiritismo a morte é tratada de modo diverso do senso comum” 

O Diretor de Unificação da Federação Espírita do Maranhão, Fábio Souza de Carvalho, explica qual a visão da religião sobre a morte

GERAL O espiritismo é a terceira religião mais frequentada pelos brasileiros.
Reprodução/O espiritismo é a terceira religião mais frequentada pelos brasileiros.
Daniela Souza

Daniela Souza
Sexta-feira, 02 de Novebro de 2018

“A morte é um fenômeno biológico, portanto, natural e que afeta o corpo físico. O Espírito, que anima o corpo, não está sujeito às transformações da matéria: preexiste à concepção e sobrevive à morte”. As palavras do diretor de Unificação da Federação Espírita do Maranhão, Fábio Souza de Carvalho, ressalta que cada religião tem uma perspectiva sobre a morte.  

No caso do espiritismo, a terceira religião mais frequentada pelos brasileiros, a morte não vista como o final da linha, mas como continuação da vida em outra dimensão.  

“A vida simplesmente continua. Tanto que nós espíritas denominamos a morte com outro nome: desencarnação! Pois o que morre é apenas o corpo material, que é uma veste para o espírito imortal, a nossa verdadeira natureza e identidade”, explica o Dirigente do Centro Espírita André Luiz e secretário-geral do Conselho Espírita Municipal de Imperatriz, Ramsés Mesquita.  

Ele ressalta que o dia dos finados, para os espíritas, é como qualquer outro, pois podem e devem lembrar com amor e carinho dos entes queridos que partiram antes o plano espiritual - a nossa real moradia - em qualquer tempo e lugar, e para isso, é necessário somente emitir pensamentos de paz e de harmonia.  

“Por conta desse entendimento, não temos nenhum ritual e cerimônia nessa data, e inclusive em nenhum outro dia, pois a Doutrina Espírita não possui, nas suas atividades, formalidades sacramentais ou religiosas”, pontua.  

Segundo o Dirigente, para os espíritas, as pessoas que têm saudades dos parentes ou amigos que partiram “para o outro plano espiritual”, eles sugerem a leitura das obras espíritas que transmite consolo para todos que ficaram no plano material da vida.  

“Livros como "O Livro dos Espíritos", obra fundamental do Espiritismo, proporciona entendimento mais amplo sobre o fenômeno da desencarnação (ou morte); O "Nosso Lar" do espírito André Luiz e "Violetas na Janela" do espírito Patrícia, revelam como é vida dos espíritos no outro plano; e, por último, "O Céu e o Inferno" de Allan Kardec e as centenas de obras psicografadas por Chico Xavier que encerram milhares cartas dos desencarnados (ou "mortos") para os seus familiares na Terra, como, por exemplo, "Eles voltaram", "Estamos no além", "Crianças do além", "Jovens no além", "Escola no além", "Claramente vivos", "Amor sem adeus" e outros tantos títulos, dão uma ideia clara e segura, por meio dos exemplos, de como podem estar, no mundo espiritual, os nossos entes amados. ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará da dor da morte!’", comenta. 

O diretor de Unificação da Federação Espírita do Maranhão, Fábio Souza de Carvalho, afirma que o espiritismo é uma doutrina livre de rituais. Como não vê a morte como o “fim”, não homenageia “finados”. Segundo ele, a religião esclarece que a vida continua e aqueles que desencarnam também porfiam pela perfeição, o que, sendo impossível de alcançar numa existência, serão obrigados a reencarnar. 

“O Espiritismo é profundamente consolador, pois revela uma realidade interexistencial. Os Espíritos estão mais próximos de nós do que imaginamos e não raras vezes, influenciam em nossos pensamentos e atos. Pela prece, podemos entrar em contato com Deus e caso estejam sofrendo os Espíritos, pela oração é possível lhes suavizar as dores. Uma prece sincera sempre lhes faz muito bem”, finaliza o diretor Fábio Souza. 

Instagram @correioma