'Nasce uma estrela' emociona com casal e trilha apaixonantes

Sem excessos e com temas atuais, drama musical mostra paixão e parceria entre garçonete e cantor decadente

CINEMA Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de 'Nasce uma estrela'.
Divulgação/Bradley Cooper e Lady Gaga em cena de 'Nasce uma estrela'.

G1
Quinta-feira, 04 de Outubro de 2018

Um diretor estreante, uma atriz nada experiente, uma trama manjada. "Nasce uma Estrela" tinha chances de causar arrepios pelos motivos errados. Mas quem for ao cinema a partir do dia 11 de outubro provavelmente vai se arrepiar de emoção mesmo.

A primeira vez de Bradley Cooper como diretor é muito certinha: ele não apela para excessos, reviravoltas ou tiques de estreante. O ator de 43 anos comanda um drama musical sem clichês e com temas atuais da cultura pop. Ele precisa só de três minutos para nos fazer apaixonar pelo casal do filme, com os dois se conhecendo em meio a amizades com drag queens e goles de gin com comprimidos para atenuar dores de ouvido e da depressão.

É uma proeza fazer algo sem clichês, levando em conta que este é o quarto filme com o nome "Nasce uma Estrela". Os outros (de 1937, 1954 e 1976) também eram baseados em uma ideia dos roteiristas William A. Wellman e Robert Carson. Desta vez, Ally é uma garçonete aspirante a cantora pop (Lady Gaga) e se torna aposta amorosa e musical de um cantor de country rock decadente (Cooper).

Mas tem chance de Oscar?

Cooper faz uma performance digna de Oscar e faz lembrar Jeff Bridges em "Coração Louco". Contido e atormentado, pode ser indicado, assim como ela. Ela merece uma vaga entre as melhores, mas parece ter menos chance do que o parceiro. A cantora não tem as mesmas chances de brilhar em cenas fora do palco.

Se tudo der errado, o filme levará "apenas" o Oscar de Melhor Canção, com "Shallow". A boa trilha tem Mark Ronson, o homem que ajudou Amy Winehouse a moldar seu som, entre os produtores. "O filme tem muita quentura nas partes cantadas. Há cenas no festival americano Coachella, no inglês Glastonbury, no Grammy e no programa "Saturday Night Live". Cooper consegue botar o espectador no palco e no backstage.

O roteiro é escrito pelo diretor com apoio de Will Fetters ("Lembranças") e do veterano Eric Roth. O roteirista de 73 anos, perito em melodramas, ganhou o Oscar por "Forrest Gump". É como um conto de fadas realista, porque a premissa hollywoodiana igual a dos os outros filmes homônimos ganha muitas doses de realidade. Quantas histórias de popstars depressivos e dependentes químicos você já leu aqui no G1 nos últimos anos?

O único senão de "Nasce uma Estrela" é a parte do meio, com sobras que poderiam ter sido tiradas das 2 horas e 15 minutos de filme. O dilema musical da personagem de Gaga, por exemplo, não instiga tanto quanto deveria. Mesmo assim, a impressão final é de que não só uma estrela nasceu, mas duas: um ator que virou diretor e uma cantora que provou ser atriz.

Instagram @correioma