Ministério da Defesa envia militares para 356 localidades no 2º turno

As tropas serão enviadas para 11 estados com a missão de impedir atos de violência, com número de operações que supera o total dos dois turnos da disputa presidencial de 2014

ELEITOR No primeiro turno, as tropas foram enviadas para 513 localidades.
Tomaz Silva/Agência Brasil/No primeiro turno, as tropas foram enviadas para 513 localidades.

Correio Brasiliense
Quinta-feira, 25 de Outubro de 2018

Nos últimos dias de uma campanha presidencial manchada por ameaças e agressões em diversos pontos do país, 356 localidades contarão com militares das Forças Armadas para garantir a segurança nas seções eleitorais, no próximo domingo. Este número, superior aos 325 registrados nos dois turnos do pleito de 2014, foi anunciado pelo Ministério da Defesa, um dia depois de o titular da pasta, general Joaquim Silva e Luna, afirmar que a votação do segundo turno ocorrerá “em clima de total normalidade”.

O reforço na segurança foi solicitado pelas 356 localidades ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou ao Ministério da Defesa o envio de militares para as missões de Garantia da Votação e Apuração (GVA), destinadas a assegurar a normalidade da eleição, o livre exercício do voto e o bom andamento da apuração. Os estados onde elas serão executadas são Acre, Amazonas, Ceará, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Tocantins. No primeiro turno, 513 localidades contaram com esse apoio.

Procurado pelo Correio, o Ministério da Defesa não confirmou nem negou a informação, publicada na coluna Painel, do jornal Folha de S. Paulo, de que comandantes do Exército, da Marinha, da Aeronáutica têm conversado sobre o receio de que grupos radicais, de ambos os lados em disputa, pratiquem atos de violência após o segundo turno. Segundo a nota, os militares pregam que o próximo presidente faça da conciliação uma prioridade após o resultado das urnas.

O ministério reiterou ao Correio as declarações do ministro Silva e Luna sobre a expectativa de um clima de normalidade no segundo turno. Enquanto isso, no PT, do candidato Fernando Haddad, há forte preocupação com ataques no dia da votação, e a direção do partido se reuniu com líderes de movimentos sociais para orientá-los a não intimidar opositores nem cair em provocações. A cúpula da legenda recomendou os militantes a não andarem sozinhos no domingo.

Além disso, o PT decidiu fazer um chamado para que países “preocupados com a democracia” observem a votação. Se houver ataques a petistas, o discurso será de que o candidato Jair Bolsonaro (PSL) deve ser visto como corresponsável. Questionado anteriormente a respeito de ataques atribuídos a seus apoiadores, Bolsonaro disse dispensar o voto de quem pratica violência.

O clima de tensão se agravou no último domingo, quando Bolsonaro fez discurso transmitido ao vivo para uma multidão de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo. O presidenciável anunciou que, se eleito, fará uma “faxina nunca vista” no país e que, se não respeitarem a lei, os “marginais vermelhos” serão “banidos”. O candidato tem sido alvo de muitas críticas por discursos inflamados que estimulariam seus eleitores a cometerem atos violentos contra homossexuais, negros, nordestinos e outros segmentos da população.

No mesmo tom, o coronel reformado Carlos Alves, em vídeo divulgado nas redes sociais, ofende e ameaça a ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Alves, visto como desequilibrado e sem credibilidade pelo próprio Exército, ameaça a ministra para que “não se atreva” a dar seguimento à ação eleitoral contra Bolsonaro, ou “nós vamos derrubar vocês aí”.

A Polícia Federal já instaurou quatro inquéritos para investigar ameaças à presidente do TSE. “Todos estão identificados. Não existe impunidade, não existe anonimato nas redes”, disse o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann. “Nós já sabemos de quem se trata e onde se encontra.”

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