Funcionários da Ratrans de Imperatriz denunciam sobrecarga de trabalho

A denúncia foi feita ao vereador Carlos Hermes. Além da sobrecarga de trabalho, os funcionários relatam pagamento de peças e consertos mecânicos caso haja falha nos ônibus

IMPERATRIZ Reprodução Funcionários da Ratrans de Imperatriz denunciam sobrecarga de trabalho
Daniela Souza

Daniela Souza
11/06/2019 14:00 atualizado em 11/06/2019 16:56

Na manhã desta terça-feira, 11, funcionários da Ratrans, empresa responsável pelo transporte público de Imperatriz, informou ao vereador Carlos Hermes (PCdoB) a sobrecarga de trabalho existente na empresa, sem intervalo para almoço.  

“Os funcionaram me apresentaram uma sobrecarga de trabalho que chega a ser desumano. Sendo que este motorista não havendo outro para substituí-lo, deve pegar o turno posterior. Nisso, chegam a uma carga de trabalho que ultrapassa 12h diárias. Ao serem demitidos, a empresa alegou justa causa por atenderem o telefone dirigindo; mas os motoristas me apresentaram os prints das ligações e mostraram que era a própria empresa que ligava para eles”, relata o vereador.  

Hermes ressalta que enquanto representante do povo da Câmara, apresentou a denúncia aos imperatrizenses e em seguida formalmente aos órgãos responsáveis pela categoria: delegacia regional do trabalho e Ministério Público do Trabalho. Um dos motoristas demitido, que não quis se identificar, explicou como vivia a situação trabalhista dentro da empresa.  

“A situação na empresa é que a pressão é muito grande porque eles querem que a gente cumpra horários. Dirigimos ônibus velhos e antigos, que causam muitos problemas mecânicos, não tem força, ruim de freio. Aí atrasa e a gente não consegue cumprir o horário que estão pedindo. Se a gente não conseguir cumprir os horários, a gente é perseguido e dizem que não damos conta. Mas por que não dão conta? Porque os ônibus são velhos”.  

Segundo ele, quando ligavam para a empresa e pedia ajuda mecânica, diziam que eles não queriam trabalhar. “Se acontece algum problema de acidente, como as batidas, nós temos que pagar. Teve uma situação de um amigo nosso lá que o carro é antigo e uma das partes do carro estava funcionando, a empresa obrigou ele pagar R$ 4.830,00. Parcelaram o valor em 20 vezes. Isso é um absurdo!”  

Por medo de represálias, outro motorista sem se identificar, contou o motivo pelo qual foi demitido da empresa Ratrans. “Fui demitido porque me neguei a pagar uma nota no qual a chefe do tráfego estava dentro do ônibus, ela me obrigou a entrar em um determinado bairro. Quando cheguei na garagem, me obrigaram a assinar um documento para eu pagar uma quantia por causa do que aconteceu”.  

De acordo com ele, após se negar, a perseguição dos donos da empresários começaram. “Descontaram nos meus salários, peguei multa de quatro dias fora de escala. Foi descontado ticket de alimentação, salário, e chegou ao ponto de me demitirem. A manutenção dos carros é bem fraca e mandam de volta para a gente. O carro esquenta mesmo antes de chegarem aos bairros. O salário de um motorista é R$1.530,00, só que fazemos as duas funções: dirigir e cobrar”.  

Motoristas que já saíram da empresa há algum tempo e outros mais recentes relataram diversas situações de degradação e sucateamento do trabalho que exerciam. O vereador apresentou as denúncias e, posteriormente, serão averiguadas pelos órgãos responsáveis para serem fiscalizados os depoimentos dos trabalhadores.  

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