Estudo com moscas rende prêmio de participação em congresso na África

A bióloga Dayse Willkenia Almeida Marques foi a única brasileira premiada e terá participação custeada em congresso em Namíbia, na África, entre os dias 25 e 30 de novembro

GERAL Mosca do gênero Elmohardyia, conhecida como mosca da cabeça grande.
Rui Andrade/Mosca do gênero Elmohardyia, conhecida como mosca da cabeça grande.

O Povo Online
Domingo, 04 de Novebro de 2018

Estudo com moscas da bióloga Dayse Willkenia Almeida Marques rendeu o prêmio do S. W. Williston Diptera Research Fund, em tradução livre Fundo de Pesquisa do S. W. Williston Diptera, administrado pelo Instituto Smithsonian(EUA). A maranhense terá participação custeada na nona edição do Congresso Internacional de Dipterologia na cidade de Windhoek, capital da Namíbia, na África, entre 25 e 30 de novembro.

Doutoranda em Entomologia [área da Biologia na qual se estuda insetos] pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foi premiada com seu trabalho “Estudo taxonômico e análise filogenética de moscas do gênero Elmohardyia (Pipunculidae) parasitóides de cigarrinhas”. Dos 47 estudantes de pós-graduação concorrentes, Dayse Marques é a única brasileira dos sete selecionados.

Dayse Marques explica sobre a proposta de identificar de forma correta moscas da família Pipunculidae, cuja quantidade de espécies distribuídas pelo mundo é de 1400. Além disso, a bióloga pretende descrever novos gêneros e novas espécies, propondo hipóteses sobre as relações de parentesco existentes.

“Seus representantes são organismos muito importantes por desempenharem uma série de funções no meio ambiente, como polinizadores, decompositores, predadores e parasitas. Eles podem atuar no controle biológico de pragas, e alguns são importantes vetores de doenças”, pontua.

Objeto de estudo

As moscas são do gênero Elmohardyia e tem como habitat regiões das Américas Central, do Norte e do Sul. Há cerca de 60 espécies catalogadas até hoje. Esses insetos são da ordem Diptera e é estudada muito afora, pela comunidade internacional, conforme afirma Dayse Marques. “Apesar de coletar e identificar espécies da região amazônica, nosso estudo contempla espécies coletadas em diversos países, portanto de diferentes tipos de vegetação”.

Conhecida como moscas da cabeça grande, o inseto é decisivo no controle biológico de pragas de pastagens. “É muito importante conhecê-las porque podem controlar pragas na agricultura, fato que ainda não é aplicado na Amazônia, mas já é aplicado na Argentina, nos cultivos de arroz e milho”.

“A partir desse conhecimento básico de identificação, descrição e nomeação das espécies, os especialistas em monitoramento e controle de pragas, podem perceber uma espécie com potencial e capacidade de atuar em escala comercial e disponibilizá-la no mercado com esse fim”, acrescenta. O interesse em pesquisar insetos surgiu desde a graduação em Ciências Biológicas na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA).

Pesquisa no Brasil

O pesquisador e doutor em Entomologia José Albertino Rafael considera a conquista um incentivo aos demais estudantes de pós-graduação do Brasil. “A qualidade desenvolvida no nosso país tem qualidade capaz de competir com a qualidade desenvolvida em outros países de primeiro mundo”.

Já em termos práticos, não traz os benefícios necessários para quem faz pesquisa no Brasil. “Nosso país tem recebido poucos recursos financeiros para a pesquisa e os pesquisadores premiados não tem recebido a atenção que deveriam”, afirma o orientador de Dayse Marques.

A oportunidade de participar de congresso no exterior reflete o desafio do pesquisador brasileiro de ser reconhecido. “É muito gratificante e estimulante, por assim dizer, pois representa o reconhecimento por parte de outros pesquisadores. Muitos jovens e mesmo pessoas experientes têm enfrentado dificuldades na captação de recursos para desenvolver suas pesquisas e/ou divulgá-las”, enfatiza Dayse Marques.

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