Cidade mineira de Muriaé barra atividade mineradora

A mobilização vinha ganhando corpo desde 2016, com manifestações, audiências públicas, atos políticos e caminhadas pelas áreas

SUSTENTABILIDADE Gilselene Mendes / Reprodução Cidade mineira de Muriaé barra atividade mineradora

Razões para Acreditar
06/02/2019 10:15 atualizado em 06/02/2019 15:10

Graças à uma ampla mobilização popular no município de Muriaé, sudeste de Minas, mais de 100 quilômetros quadrados (10 mil hectares) de mata e 2 mil nascentes e córregos foram preservados da indústria da mineração.

A região, que fica na Zona da Mata, agora está protegida via Projeto de Lei 192 da Câmara Municipal de todo e qualquer extrativismo mineral, bem como alguns locais importantes, como o Distrito de Belisário e as margens do Parque Estadual Serra do Brigadeiro.

Com forte pressão da população, os vereadores aprovaram por unanimidade o PL 192, que denomina tal área como “Patrimônio Hídrico do Município de Muriaé”. Para o prefeito de Muriaé, Ioannis Konstantinos (DEM), o papel da gestão local é preservar e enrijecer as políticas de exploração hídrica e mineral.

“A presente proposta (…) tem como condão efetivar a proteção do patrimônio hídrico da área descrita, visando a defesa do meio ambiente”, escreve, “como também impulsionar o envolvimento social na construção de uma política municipal de proteção de recursos hídricos”. O PL 192 também protege as faixas do entorno da Serra do Brigadeiro, além de enterrar dez projetos de mineração da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

Conquista via pressão popular

Essa vitoriosa legislação pró-meio ambiente é resultado de anos de lobby e pressão por parte dos cidadãos de Muriaé, pelo MAM (Movimento Soberania Popular na Mineração), por ONGs de defesa da fauna e flora e pelo Frei Gilberto Teixeira, padre da Paróquia de Belisário.

A mobilização vinha ganhando corpo desde 2016, com manifestações, audiências públicas, atos políticos e caminhadas pelas áreas que viriam a ser protegidas pela legislação. Em fevereiro de 2017, o Frei Gilberto foi ameaçado de morte por um homem armado, gerando mais controvérsias perante à população.

Naturalmente, o grande receio entre a comunidade é ver a indústria mineradora destruir as bacias hídricas e a fauna e flora vibrantes da Zona da Mata, tal qual acontecido nas cidades de Mariana e Brumadinho.

De acordo com o Frei Gilberto, “Belisário é um grande gerador de água. Aqui, nesse pequeno distrito, nós temos mais de 2 mil nascentes já cadastradas, que abastecem Belisário, Muriaé e as cidades aqui pra baixo. Vemos que a zona de amortecimento do parque e Belisário devem ser protegidas porque, tirando a bauxita, tira também a nossa água. Uma está ligada intimamente à outra. Nós só temos muita água, porque temos muita bauxita.”

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