Chico Buarque torna-se o 1º músico a vencer o Prêmio Camões

Trata-se da maior distinção em literatura da escrita portuguesa

LITERATURA Divulgação Chico Buarque torna-se o 1º músico a vencer o Prêmio Camões

O Povo
22/05/2019 10:32 atualizado em 22/05/2019 13:51

O escritor Chico Buarque de Hollanda foi escolhido na terça-feira como vencedor do Prêmio Camões de 2019 pelo conjunto de sua obra. Trata-se da maior distinção em literatura da escrita portuguesa. A eleição aconteceu na Biblioteca Nacional, no Rio, onde, após uma reunião de duas horas, um júri especialmente escolhido anunciou seu nome.

Chico, que se tornou o primeiro músico a ganhar a distinção além de ser o 13º autor brasileiro a figurar entre os vencedores, vai receber 100 mil euros. Ele está em Paris, para onde normalmente viaja a fim de passar seu aniversário, em junho. Lá, foi surpreendido por uma enxurrada de telefonemas (da ex-mulher, Marieta Severo, de seu editor, Luiz Schwarcz, de seu assessor, Mario Canivello). Sobre a premiação, comentou: "Fiquei muito feliz e honrado de seguir os passos de Raduan Nassar", referindo-se ao mais recente brasileiro a ganhar o prêmio (2016).

Criado em 1988 pelos governos do Brasil e de Portugal, o Camões elege a cada ano um escritor de países onde o português é a língua oficial. A eleição de Chico, segundo o júri, foi definida a partir da qualidade de seu trabalho e também pela "contribuição para a formação cultural de diferentes gerações em todos os países onde se fala a língua portuguesa". Também pelo "caráter multifacetado", uma vez que Chico escreve para teatro, além de romances e da poesia de suas canções. "Seu trabalho atravessou fronteiras e mantém-se como uma referência fundamental da cultura do mundo contemporâneo", afirmaram os jurados, em nota.

Embora a carreira musical seja a mais extensa e proeminente de suas facetas, com mais de cinco décadas dedicadas à música e 17 álbuns de estúdio gravados, Chico tem uma prolífica carreira literária. Se parecia flertar com a literatura com Fazenda Modelo e Chapeuzinho Amarelo, ele assumiu de fato o ofício da escrita com Estorvo, publicado (1991) e que considera a virada para sua maturidade literária. Trata-se de uma nova fase de sua escrita, em que ele busca alternativas para expressar seu pensamento. Conta, basicamente, a trajetória de um homem que não se sente bem em nenhum ambiente onde está.

Além de Estorvo, Chico publicou ainda Benjamin (1995), Budapeste (2003), Leite Derramado (2009) e O Irmão Alemão (2014). (Agência Estado)

CAMÕES

Além de Chico Buarque, outros 12 brasileiros receberam a honraria. Entre eles, a cearense Rachel de Queiroz (1993), João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Ferreira Gullar.

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