Internet
Reprodução/Internet

Reforma da Previdência: urgente e necessária!

As eleições de 2018 acabaram, período em que o maior cabo eleitoral para a vitória do candidato eleito foi uma cruzada em favor da moralidade perdida pelo povo brasileiro; porém, findo o pleito volta novamente à cena do jogo político: a Reforma da Previdência. Tal discussão ficou em banho maria durante todo o ano de 2018, justamente porque a classe política não estava disposta a prejudicar sua imagem com os seus eleitores; assim sendo, deixaram o espinhoso tema cozinhando para ser discutido tão logo a elite política ganhasse a eleição. Como resultado tivemos a ampla vitória da bancada BBB, que endossará fortemente não somente esta reforma bem como outras pautas morais identitária.

Para efeitos de explanação acerca do aludido BBB político, esta é a bancada dos denominados parlamentares da Bíblia, da Bala e do Boi; conforme endossou o Presidente eleito, afiançando que com este grupo possuirá a maioria no legislativo e poderá implementar qualquer reforma política. Obviamente que comporá esta bancada conjuntamente o grupo dos empresários, vindo, assim, a lastrear todos os caminhos para concluir a tão sonhada Reforma da Previdência - nos moldes que o mercado econômico espera que seja efetivada. Em tempo, sabemos que um dos pilares que haverá mudança será o tempo de contribuição e a idade mínima, para os trabalhadores poderem se aposentar: 65 anos e com regra de transição, além da possiblidade de ter que ser vinculada a sua contribuição a um fundo de previdência privada, a fim de “desonerar” o Estado.

Este atual modelo de previdência que temos em nosso país remonta ao processo de criação da CLT e todo o modelo de seguridade criada por Getúlio Vargas na construção do Estado nos anos 30 e 40. Nesse modelo estava legislado que o Estado seria o ente regulador da função previdenciária da classe trabalhadora, em que deveria funcionar de acordo com uma pirâmide: os trabalhadores que entravam no mercado de trabalho ao contribuir, consequentemente, iriam pagar a pensão dos mais idosos que já estavam aposentados. No entanto, o Estado brasileiro não contava que a classe operária iria viver tanto tempo e usufruir da sua aposentadoria ainda em vida, ocasionado, portanto, que a União tivesse que cumprir integralmente com o pagamento da contribuição dos seus trabalhadores.

Muito relevante discutirmos este modelo de previdência que temos no Brasil, igualmente, acerca da falácia do rombo da previdência como se fosse exclusivamente a classe trabalhadora a maior responsável por essa conta que nunca fecha. Conforme sabemos, a contribuição com a previdência é dividida a sua contrapartida entre os trabalhadores - sendo retida mensalmente no seu contracheque, juntamente com a contrapartida efetivada pelos patrões; sendo que, conforme sabemos há uma quantidade enorme de empresários fraudadores da previdência, em face da inadimplência. Além deste rombo provocado pela elite, ainda temos o ônus de arcar com as despesas da pensão dos militares e das suas filhas “solteiras” vitalícias.

De acordo com o projeto de Reforma da Previdência, muito discutida entre os parlamentares interessados e pouco apresentada efetivamente ao povo, é sugerido um regime previdenciário com forte participação na previdência privada. Curiosamente, mesmo com todo o rombo dado pelos militares e suas filhas, esta reforma não inclui a corporação militar. Realmente, a Reforma da Previdência é uma questão importantíssima para ser debatida, principalmente, porque mais uma vez a classe trabalhadora poderá ser lesada por interesses financeiros escusos de uma classe política que não a representa: boa agenda política para 2019!

Instagram @correioma