Internet
Reprodução/Internet

O preço da gasolina nas alturas: o Brasil novamente à beira do colapso

O preço da gasolina corre a passos céleres e exorbitantes, girando em torno de R$ 4,50 a R$ 5,00, dependendo da região do Brasil onde é comercializada. Sabemos que o país priorizou o seu desenvolvimento muito alicerçado nas rodovias e nos transportes terrestres, dependendo, necessariamente, do combustível fóssil derivado do petróleo para o seu desenvolvimento. Porém, chegou ao seu limite em face do seu valor estratosféricos e podendo, novamente, ocorrer um caos com paralizações - caso os caminhoneiros decidam parar como forma de protesto, assim como já fizeram em 2018 e colocaram a nocaute o governo de Michel Temer.

Para compreendermos a forma que é realizado o ciclo econômico baseado no petróleo e seus derivados, primeiramente, devemos ter em tela que o seu processo de comercialização é regulado pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustível (ANP). Como reflexo da regulação no plano nacional ainda há a incidência dos tributos estaduais referente ao ICMS, portanto, é em face diretamente dessa tarifação estadual que pode acarretar que algumas regiões possuam a gasolina mais cara do que outras regiões do Brasil. Registramos, também, que além do peso incisivo da regulamentação nacional e da tributação estadual, ainda pesa o processo de transporte e de circulação interna conduzida por rodovias, podendo em algumas regiões ter o preço muito maior em face do custo de deslocamento.

Devemos estar atentos e refletir como a gasolina deu um salto de preço em poucos anos, principalmente, durante o governo Temer e o início do mandato de Bolsonaro, uma vez que duplicou de preço sem que os salários dos consumidores acompanhassem o preço atual extremamente abusivo do produto. Obviamente que há uma explicação bastante evidente sobre este fato, pois o governo brasileiro priorizou a paridade do petróleo em nível internacional, como intuito de não dar prejuízo aos acionistas da Petrobras, bem como às empresas internacionais que compraram gordas fatias da Petrobras e das empresas de refino durante a gestão Temer. Assim sendo, os custos de comercialização foram jogados os seus encargos para os consumidores, tendo estes, portanto, que pagar todos os valores agregados nos sucessivos aumentos do petróleo e seus derivados.

Salientamos, também, que outrora a Petrobrás possuía a hegemonia do mercado nacional, mas foi sucessivamente fatiada e privatizada desde o período de Fernando Henrique Cardoso. Evidenciamos que a partir da gestão equivocada de Temer houve um processo de tentativa de liquidação dos ativos da Petrobrás; assim, nesta perspectiva, quanto mais internacionalizado for o processo de compra e venda de petróleo para o refino e circulação da gasolina, diretamente mais caro será o preço para o consumidor final. Lembramos, todavia, que no período Lula e Dilma houve uma política de Estado que visava um abrandamento do valor comercializado do petróleo com vistas a não acarretar tamanho custo aos consumidores.

Em síntese, a partir do Golpe de 2016 houve uma mudança estratégica na área energética, uma vez que priorizou um liberalismo de mercado e uma política de privatização vinculada ao capital internacional. Logo, o que prevaleceu a partir de 2016 foi o lucro dos acionistas internacionais e a tentativa de um saldo positivo da Petrobras na bolsa de valores, mesmo que às custas do aumento da inflação e do estrangulamento dos consumidores. Em face do ocorrido em 2018 com os caminhoneiros, o Presidente Bolsonaro tentou negociar com a categoria para a diminuir o valor do diesel; porém, sabemos que há um limite nessa negociação, pois quem regula o preço é o mercado internacional e não o Presidente: o fundo do poço está bem perto!

Instagram @correioma