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As desventuras do governo Bolsonaro: o efeito Bebianno

Um novo round paira no governo de Jair Bolsonaro, dessa vez atingindo frontalmente a cúpula do primeiro escalão do governo, seus filhos e o partido que o elegeu. Tal confronto demonstra uma crise permanente no seu governo e uma incapacidade ímpar de delegar ordens, assim como cumprir o seu papel enquanto chefe do executivo. Ainda, esta incapacidade gerencial igualmente embaraça os seus trâmites legais como gestor de uma nação, pois as rusgas abrangem diretamente os seus filhos e o seu corpo ministerial, mais detidamente no escandaloso desvio de verbas de fundo partidário para o próprio partido do Presidente.

Como se não bastasse toda a confusão e falta de explicação acerca dos seus filhos, que já estão envolvidos em denúncias de ligações espúrias com as milícias do Rio de Janeiro, assim como laranjas no próprio gabinete de Flávio Bolsonaro, agora paira mais um conflito no front. Explicamos para entendermos melhor o esquema: 1) O PSL, partido de Jair Bolsonaro, é acusado de desvio de verbas de fundo partidário e de estimular candidatos laranjas, a fim de irregularidade contábil e malversação do dinheiro público, num flagrante caso de crime eleitoral. 2) A impressa publicou que o seu ministro da secretária-geral, Gustavo Bebianno, seria o responsável direto pelo desvio de dinheiro. 3) O ministro afirmou que já tinha conversado com o Presidente sobre o caso; no entanto, fora desmentido pelo seu filho Carlos Bolsonaro – fato este que estimulou o expurgo de Bebianno e provocou uma guerra com ameaças recíprocas.

Devemos registrar, contudo, que esta não é a primeira denúncia envolvendo candidaturas laranjas que assolam em cheio o governo Bolsonaro, pois há outras acusações que ainda confrontam o governo: As primeiras denúncias ocorreram em Minas Gerais e envolveram Marcelo Álvaro Antônio, atual ministro do Turismo. Salientamos que, durante o período de campanha, ele era presidente do PSL nesse estado e tinha o poder de decisão sobre quais candidaturas seriam lançadas. Ocorreu uma segunda denúncia envolvendo Luciano Bivar, recém-eleito segundo vice-presidente da Câmara dos Deputados, sendo acusado de criar candidatos laranjas em Pernambuco durante a campanha de 2018. Segundo acusações, o partido de Bolsonaro repassou R$ 400 mil do fundo partidário no dia 3 de outubro, a apenas quatro dias antes da eleição, servindo essas acusações de estopim para a atual crise política

Tais denúncias atingiram diretamente o ministro Gustavo Bebianno, pois era Bebianno o presidente nacional do PSL e coordenador da campanha de Jair Bolsonaro: gestor direto das contas públicas partidárias na campanha presidencial. O Presidente, por seu lado, se utilizou do seu filho para tirar o corpo fora e deixou que Carlos Bolsonaro desferisse as facadas mortais em Gustavo Bebianno; enquanto isso, o ministro execrado ameaçava abrir o bico e contar tudo o que sabia sobre a campanha que elegeu Bolsonaro. Ao que tudo indica nesse jogo de toma-lá-dá-cá, muitas cartadas ainda serão postas na mesa.

Entre o rol das ameaças desferidas por Bebianno, o ministro decaído avisa que não cairá sozinho e estará disposto a ir para o confronto revelando tudo o que sabe sobre o esquema de laranjas incluso no partido que elegeu o Presidente. Mesmo não surpreendendo as denúncias arroladas, o que causa espanto é o tempo extremamente exíguo que ocorreram tantas revelações envolvendo em cheio toda a sua família e o seu governo – apenas 45 dias! Em síntese, em apenas 1 mês e meio fomos assolados por um mar de escândalos e denúncias, que ainda merecem uma explicação apropriada: Caso Queiroz, milícias armadas, ministros investigados e denúncias de laranjas no próprio partido.  

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