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A queda do Muro de Berlim e outros muros.

Como reflexo da crise política do pós-guerra e, principalmente, com o advento da Guerra Fria, foi construído um funesto muro que dividia Berlim ao meio, desde o início dos anos 60. Esse muro não dividia simplesmente uma cidade, mas dividia duas concepções de mundo antagônicas, que embora se complementassem pela partilha do mundo; porém, de fato, se digladiavam com vista à aniquilação do seu oponente. Em linhas gerais, a divisão do muro se materializava na seguinte configuração: 1) no lado de Berlim Ocidental, que era capitalista; e, 2) no lado de Berlim Oriental, que era comunista.

Tal divisão geopolítica fora fomentada em face da derrota da Alemanha na II Guerra Mundial, pelas tropas comunistas que chegaram de Moscou; vindo, por conseguinte, a erodir as fortalezas nazistas e dando espaço para a entrada dos aliados derrotarem Hitler. Com a chegada das forças aliadas, representado por Inglaterra, França e Estados Unidos, Berlim foi dividida ao meio e alçada a prêmio como um botim milionário do pós-guerra. A Alemanha foi seccionada, num espectro comunista e noutro capitalista, fazendo com que Berlim pela posição política e simbólica, fosse o monumento erigido desse processo de divisão – acarretando que em virtude dessa cizânia separasse não somente a política e a economia, mas também inúmeras famílias e uma nação.

Na esteira dessa divisão do Muro de Berlim, seccionou-se também dois regimes, petrificando, consequentemente, dois modelos de estado, de economia e de sociedade, de um lado o Leste europeu, sendo blindado pelo que se convencionou chamar de Cortina de Ferro. Melhor explanando esse conceito, Cortina de Ferro foram diversos países do Leste europeu e asiático que acataram, optaram ou foram obrigados pela força a seguir o modelo de comunismo de Estado capitaneado pelo URSS, entre esse destacamos: Hungria, Checoslováquia, Romênia, Iugoslávia, China, etc. E de outro lado, na parte ocidental do globo predominava o capitalismo, era capitaneado pelo Estados Unidos e que se distinguia como uma grandiosa força imperialista, sobretudo, agindo com robustez e opressão com os países subdesenvolvidos da América Latina.

Portanto, o Muro representava este símbolo, de fato, que cortava o mundo em dois blocos e Berlim como o exemplo da cidade dividida que personificava todas essas cicatrizes - tanto da II Guerra Mundial quanto dessa divisão bipolar. Embora no lado oriental houvesse uma força repressiva que tensionava essa petrificação, especialmente, através da polícia política da Alemanha Oriental, que oprimia e encarcerava qualquer tentativa de fuga para o lado ocidental; porém, o muro começou a ruir no ano de 1989. No dia 09 de novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, o governo oriental instituiu que os cidadãos poderiam visitar a capitalista de Berlim Ocidental, ocasionando que multidões de alemães orientais evadissem para o lado ocidental. Tais fatos, advindos da queda do Muro de Berlim, abriram o caminho para a reunificação alemã, que foi formalmente celebrada em 3 de outubro de 1990.

Conforme estudos, o reflexo desse processo geopolítico da divisão ainda está vivo na Alemanha, pois embora ocorreu a reunificação alemã no início dos anos 90, a população alemã convive com sequelas vivas dessa secção política, especialmente, com os traumas advindos dessa ruptura imposta pelo Estado. Mas, parece que o mundo ainda não aprendeu com esses traumas, uma vez que os Estados Unidos ainda insistem na divisão do mundo, notadamente, entre o pobre México e o rico país do Tio Sam, visto que impedem os mexicanos e demais latinos de atravessarem as suas fronteiras. Também, não devemos esquecer dos campos de refugiados e da separação existentes entre Israel e Palestinos. Em síntese, mesmo com tantos dramas, os traumas se mantêm vivos a fim de edificar sistemas políticos e econômicos.

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