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A posse de Bolsonaro: está tudo como dantes no quartel de Abrantes

De acordo com a história, esta frase teve a sua origem no início do século 19, no momento da invasão de Napoleão Bonaparte na Península Ibérica (Portugal e Espanha). Portugal foi tomado pelas tropas francesas, em virtude que havia demorado a obedecer ao Bloqueio Continental, que fora imposto por Napoleão e obrigava o fechamento dos portos para qualquer navio inglês. Desta forma, em 1807, uma das primeiras cidades portuguesas a serem invadidas pelas forças napoleônicas foi Abrantes, que ficava a alguns quilômetros de Lisboa, na margem do rio Tejo. Nessa cidade ele alojou o seu quartel-general francês e, em seguida, nomeou o seu general Jean Androche Junot como duque d’Abrantes.

Para surpresa do general francês ele se deparou com o país praticamente sem governo, uma vez que o príncipe português, Dom João VI, assim como toda a corte portuguesa, já haviam trocado Portugal pelo Brasil, às pressas, em face do pânico provocado pela possível invasão de Napoleão. Justamente por essa razão, motivado pela ausência de governo, ninguém em Portugal estranhou qualquer diretriz do Duque de Abrantes como novo governante, provocando, portanto, o ditado irônico quando alguém perguntava como andava a política nacional portuguesa: “Está tudo como dantes no quartel d’Abrantes”. Assim, podemos usar esse dito popular até os dias atuais para indicar quando nada muda e que continua tudo a mesma coisa, principalmente, quando se reporta ao trato político e aos seus governantes.

Não obstante a mudança política ocorrida no Brasil com a passagem da faixa presidencial do golpista Michel Temer para o novo Presidente eleito Jair Bolsonaro, continuará tudo como dantes, uma vez que Bolsonaro já vinha frondosamente dando as diretrizes de governo para Temer nos últimos tempos. Torna-se imperativo destacar que o governo Temer começou o seu fim tão logo a sua posse, justamente pela deslegitimação do seu mandando e, igualmente, em virtude das sucessivas denúncias envolvendo corrupção com a sua própria pessoa e seus familiares. Além dessa deslegitimação crônica, ainda, o seu governo quebrou com a crise dos caminhoneiros que pararam o país pelo aumento da gasolina: o Brasil foi a nocaute, demonstrando ser Michel Temer um chefe totalmente inapto para o cargo presidencial.

Conforme amplamente divulgado, foi público e notório que, tanto Bolsonaro quanto a sua corte de ministros de transição, já davam ordens acerca das políticas que deveria ser aplicada pelo inapto Presidente, principalmente, na área da saúde com a expulsão dos cubanos no Programa Mais Médico. Ainda, tornou objeto de crítica quando o seu ministro da economia enfatizou com veemência que era necessário dar uma prensa na classe política para aprovar as reformas necessárias ainda no ano de 2018. Melhor dito, dentro do próprio governo Temer a equipe de transição já impunha condicionantes e diretrizes que deveriam ser realizadas nos meses que faltavam para a conclusão do seu mandato, talvez, para poupar de desgastes futuro o governo de Bolsonaro.

Em face dessas diretrizes que já estavam sendo aplicadas, assim como outros acordos e acomodações que se mantiveram com o mesmo corpo político de outrora, podemos afirmar que se manterá tudo como era dantes, apenas com relativas mudanças. Entre as mudanças de mais sensível ruptura, já podemos prever de acordo com a frase dita por Bolsonaro em sua posse:  “vamos libertar o país do politicamente correto”. Que trocando em miúdos, pode ser dito que irá liberar o pais para que volte às velhas práticas de fazer piadas machistas, homofóbicas, racistas, etc. - friso que o politicamente correto surgiu exatamente para inibir esse tipo de preconceito – mas, nada a estranhar, uma vez que Bolsonaro disse que a sua própria filha, por ser mulher, é resultado de uma fraquejada.  

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