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A falácia da ajuda humanitária venezuelana

O mundo está abismado com o cataclismo que está guindada a Venezuela nos acontecimentos recentes, como se o pais vizinho estivesse numa montanha russa em alta velocidade e que tende ao descarrilamento com vítimas fatais. Desde a morte do seu líder populista de esquerda, Hugo Chaves, a Venezuela é sacudida diuturnamente com ameaças de golpes e contragolpes, entre forças nacionalistas democráticas de contornos de esquerda versus forças políticas de extrema-direita. Estas últimas extremamente empenhadas e dispostas a fazer o jogo das grandes oligarquias em conluio com o capital estrangeiro, com o intuito de vender as reservas petrolíferas do país.

No mapa geopolítico devemos situar que o petróleo foi o grande presente de grego para a Venezuela, pois no momento em que foi descoberto no início do século XX tornou-se objeto de disputa dos oligarcas locais, assim como das grandes corporações internacionais sedentas em abocanhar esse ouro negro. Devemos colocar em destaque que as reservas de petróleo venezuelano representam 20% das reservas mundiais, enquanto que as reservas americanas representam meros 2%; assim sendo, nada mais natural que no jogo do comércio internacional os Estados Unidos empenham-se com olhos gulosos dispostos a se apossar do petróleo venezuelano. Porém, o petróleo do país vizinho é estatizado e controlado pelas forças do governo, causando, portanto, inúmeros conflitos internos com a elite local que visa em conluio a partilha desse butim milionário, mesmo que seja à custa do empobrecimento do seu próprio país.

O fato da Venezuela flutuar em petróleo trouxe alguns empecilhos, por exemplo, o fato de atrelar toda a economia do país ao processo do lucro desse produto como o grande incremento do PIB nacional e, ainda como consequência negativa, o fato de contribuir para o processo de desindustrialização do país, pois priorizou somente as riquezas nacionais advindo das petrolíferas. Nesta perspectiva o petróleo tornou-se o elemento principal da economia venezuelana e objeto de disputa internacional, sofrendo, obviamente, todas as fissuras e sequelas do jogo macabro da economia de mercado. Conforme sabemos, o mandatário desse jogo são os Estado Unidos, pois controlam além da economia mundial, o preço do petróleo e a indústria bélica, claro que neste cabo de guerra sobrou para a parte mais fraca.

Assim como já ocorrera nos conflitos bélicos na Síria e no Iraque, visando o processo de disputa e saque do Petróleo, nesse momento com pretexto intervencionista os Estados Unidos inauguram um processo de ajuda humanitária sob uma falsa capa protetiva. Para endossar essa intervenção fragilizam o Presidente eleito, Nicolás Maduro, erigindo um severo bloqueio econômico asfixiando o país. Ainda, para coroar o processo insuflam líderes de extrema direita com vistas a fragilizar com mais rigor o país e fomentam conflitos internos com choques armados entre a própria população, o resultado é óbvio: fome, desemprego e migrações em massas para fugir do embargo econômico provocada pela política bélica americana.

Nesse momento para coroar as etapas finais visando a queda de Maduro, estimulam motins internos e atentam contra a soberania nacional com falsos discurso de ajuda humanitária, objetivando, assim, desmoralizar o Presidente legalmente eleito. Mesmo com todas as debilidades e contradições que possa ter o atual Presidente, assim como todas as falhas do processo político em curso no país vizinho; porém, nada anula a autodeterminações dos povos, conforme fora sancionado pela ONU. Infelizmente, conforme já reiteradamente sabemos, a Venezuela será apenas mais um capítulo da história da humanidade coberta de fome e sangue, patrocinado pelo lucro desenfreado do capital e pela sanha do império americano na busca desmedida pelo petróleo: o caos está instalado. 

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